Com 18 senadoras e 109 deputadas federais, representação feminina cresce no Parlamento, mas ainda enfrenta obstáculos dentro dos partidos políticos
O Congresso Nacional terá, a partir de 2027, a maior representação feminina de sua história. Serão 18 senadoras, correspondentes a 22% das cadeiras do Senado, e 109 deputadas federais, que representarão 21% da Câmara dos Deputados. Os números representam um avanço em relação ao início da atual legislatura, em 2023, quando 11 mulheres ocupavam o Senado e 91 integravam a Câmara.
De acordo com reportagem publicada pela Agência Senado, na sexta-feira (16), as eleições de 2026 também estabeleceram outro recorde: 12 mulheres foram eleitas para o Senado em um único pleito. Entre os destaques está o Distrito Federal, que será a primeira unidade da Federação a contar com três mulheres ocupando simultaneamente suas vagas na Casa. Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas em outubro, se juntarão à senadora Damares Alves (Republicanos).
Apesar do crescimento, a participação feminina no Congresso ainda está distante da composição da população brasileira, formada por aproximadamente 51% de mulheres. Pela primeira vez, a representação feminina ultrapassará a marca de 20% nas duas Casas legislativas.
Barreiras dentro dos partidos
Especialistas apontam que um dos principais obstáculos à ampliação da presença feminina na política está na estrutura dos partidos. Embora as mulheres participem das atividades partidárias e integrem as bases das legendas, os principais cargos de direção e as decisões sobre distribuição de recursos eleitorais continuam predominantemente nas mãos dos homens.
Desde 1997, a legislação eleitoral brasileira estabelece cotas de gênero para candidaturas proporcionais. Atualmente, os partidos devem preencher pelo menos 30% das candidaturas com pessoas de cada sexo. Além disso, precisam destinar às candidaturas femininas, no mínimo, 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Entretanto, segundo as especialistas ouvidas pela Agência Senado, a concentração de recursos em poucas candidaturas e a baixa participação feminina nas direções partidárias dificultam a formação de candidaturas competitivas.
A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que a ampliação da presença feminina resulta de décadas de mobilização das próprias mulheres por maior participação nos espaços de poder.
Brasil ainda está atrás de outros países
Apesar dos avanços, o Brasil permanece em posições desfavoráveis nos indicadores internacionais de representação feminina. Segundo levantamento da União Interparlamentar citado pela Agência Senado, com referência aos resultados eleitorais de 2022, o país ocupava a 138ª posição entre 183 países na representação feminina na Câmara dos Deputados e a 62ª entre 79 países no Senado.
Em comparação, países latino-americanos apresentam índices significativamente superiores. No México, aproximadamente metade das cadeiras do Senado é ocupada por mulheres, enquanto na Argentina essa participação chega a 47%.
Para as especialistas, o desafio brasileiro vai além de ampliar o número de mulheres eleitas. É necessário garantir condições efetivas de participação, acesso aos recursos de campanha e maior presença feminina nos espaços de decisão dos partidos.
Embora a próxima legislatura represente um marco histórico, os números demonstram que a igualdade de representação entre homens e mulheres no Parlamento brasileiro ainda está distante de ser alcançada.
Fonte: Agência Senado — reportagem de Ricardo Westin, publicada em 16 de outubro de 2026.





